Gosto de ser decidida. Tinha estes posts em draft neste blog novo há 9 anos. Nunca mais me lembrei que isto existia. Hoje encontrei isto por acaso e decidi publicar. Estava à espera de quê?
Gosto
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Da embriaguez
Gosto de martini. Bianco, de preferência. Desde que descobri que gosto de martini, já tenho duas bebidas alcoólicas que gosto. Não tenho de estar sempre a beber whisky, agora posso variar. E com a frequência que costumo beber, isso dá para beber aí uns 7 martinis por ano. É, eu gosto de viver no limite.
Da beleza
Gosto de cremes. Cremes para as mãos, para o rosto, para o corpo, para o cabelo, para tudo. Cremes é o meu pecado. É onde eu facilmente gasto dinheiro desnecesssário. Muito mais facilmente gasto dinheiro em cremes do que em roupa, carteiras ou calçado. Se aparece um creme novo, não descanso enquanto não o experimento. Compro cremes na perfumaria, na farmácia, no supermercado, nos catálogos, nos blogs. Tenho dezenas de cremes. E muitos deles a meio, abandonados porque entretanto apareceu um novo melhor que ele. Já fiz um esforço para não comprar um creme novo enquanto não acabasse os antigos, ou pelo menos parte deles, mas é mais forte que eu. Eu vejo um creme novo, acabado de chegar, a reluzir na prateleira, a chamar-me 'Maat, leva-me contigo. Quero hidratar-te' e pronto, já caí na esparrela. O melhor mesmo é nem ver nada, nem saber. Se não souber da existência deles, não vou querer comprá-los.
Do discurso
Gosto de palavras. De certas palavras. Há palavras que me deixam feliz só de as dizer, ouvir ou ler. Ensimesmado ou etéreo. Schadenfreude ou Umlaut.
Da aceitação
Gosto de admitir. Às vezes, tentamos enganar-nos a nós próprios e não admitimos coisas que temos medo ou temos vergonha, para nós próprios. coisa que sentimos, que fazemos ou que usamos. Mas aprendi que se admitir essas coisas, ainda que no início custe, depois sinto-me muito melhor e sou uma pessoa mais em paz comigo mesma, porque me aceito como sou, boa ou má. Por exemplo, durante anos tomava café por tomar, sem gostar relamente daquilo. A partir do momento que admiti que não gostava e nunca mais bebi café, sinto-me bastante melhor. Assim como, num plano mais etéreo, durante muito tempo sentia-me mal quando alguém caía e eu me ria. Há algum tempo admiti que sou assim e sempre vou ser. Sou daquelas pessoas que se ri se alguém cai. Não quer dizer que eu menospreze essas pessoas, quer apenas dizer que eu sou má. E desde que admiti isso, por mais que me custe e sinta vergonha de mim própria, sinto-me melhor. A aceitação de nós como nós somos é meio caminho andado para a felicidade (tenho também de admitir que não sou nenhuma especialista nisso, mas pronto, vou dando uns toques).
Da masculinidade
Gosto de sapatos de vela. Gosto de ver homens de sapatos de vela e gosto de usar sapatos de vela. Eu sei que é calçado mais de homem, mas adoro os meus sapatos de vela. Tenho três pares, de cores diferentes. Quando estou triste, uso os meus sapatos de vela e sinto que sou capaz de enfrentar ao mundo. Os meus sapatos de vela acompanham-me para o todo o lado e não têm medo de se mostrar. Não sou uma miúda de saltos altos, sou uma miúda de sabrinas sapatilhas e sapatos de vela. E gosto.
Do aconchego
Gosto de luvas e cachecóis. Acessórios de Inverno quentinhos, que nos aconchegam em dias frios. Gorros também, especialmente o meu peruvian hat, com tranças.
Da felicidade
Gosto de música. Música acompanha-me sempre, seja no tabalho, no carro ou em casa. Música alegra-me e faz o tempo passar mais rápido e de forma mais agradável, ainda que seja música gótica deprimente. Há duas coisas que tornam a existência dos homens mais aprazível, que os fazem esquecer as misérias da vida (segundo Albert Schweitzer, não fui eu que inventei): music and cats. E eu tenho-as às duas.
Da fotogenia
Gosto de passepartouts. Ou molduras, numa linguagem mais comum. É um objecto que me encanta. Vejo um numa loja qualquer e apetece-me trazê-lo para casa. O problema costuma ser a escolha da foto contemplada para ele. Não tenho assim tantas fotos e, das que tenho, são poucas as que gosto. Se eu comprasse todos os passepartouts que gosto, provavelmente não ia ter fotos que chegassem e ia ter de deixar lá aquelas fotos que vêm de origem, que é sempre de um senhor e uma senhora de trinta e poucos anos, com ar muito feliz, na praia. Ou então uma criança sorridente. Será que eles têm o exclusivo para passepartouts? Será que se eu os vir na rua os reconheço?
Do vício
Gosto de panikes. De tudo. De chocolate, de ovo, misto ou combinado. De queijo não aprecio. De fiambre, só se tiver de ser. Mas os outros todos, era capaz de comer dez por dia e nunca me fartar. Penso em panikes e babo-me automaticamente. Quero deixar aqui o meu agradecimento pessoal ao Sr. Panike (senhor alemão que inventou os panikes) por nos ter deixado a 8ª maravilha do mundo.
PS: Claro que o Sr. Panike não é alemão, nem sequer existiu. Não precisam de deixar hate mail. Era uma piada.
PS: Claro que o Sr. Panike não é alemão, nem sequer existiu. Não precisam de deixar hate mail. Era uma piada.
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